domingo, 8 de dezembro de 2013

PEDAGOGOS DA SEGUNDA GERAÇÃO

A ESCOLA INGLESA DE EDUCAÇÃO MUSICAL

George Self (1921 - 1967)
John Paynter (1931 - 2010)
Keith Swanwick (1937)


George Self

George Self foi um músico comprometido com a música e a educação musical de vanguarda. Para ele, a educação baseada na  música do passado limitava a criatividade do aluno, fazendo-o permanecer em um mero processo de "adestramento" que leva educando ao domínio da leitura de partituras e de habilidades técnicas, a fim de reproduzir padrões antes estabelecidos pelo compositor. Ao contrário, o modelo de educação musical de Self visa preparar o aluno para a escuta da música nova, estimular a criatividade e a invenção. Self não desconsidera o valor do ensino da música tradicional. O que ele propõe é uma ampliação nas experiências sonoras e musicais dos educandos. Os princípios gerais de seu método são:
- A pulsação musical não é enfatizada e, sim, o emprego de organizações rítmicas irregulares;
- A altura sonora não é baseada na escala diatônica, mas na escala cromática e sons indefinidos;
- Estímulo à produção sonora, criação espontânea e improvisação;
- Notação musical não convencional, mais adequada ao novo modelo sonoro;

Fonte: FONTERRADA, Marisa O. T. De Tramas e Fios, pag 183

Dinâmicas em sala de aula:
- Execução conjunta (com vozes e instrumentos) de alguns exercícios propostos por Self:


Principal obra publicada



John Paynter


Contemporâneo de Self, John Paynter também baseava-se nas práticas alinhadas à música nova para a educação musical. Paynter valorizava o experimental e rejeitava os procedimentos de repetição de valores tradicionais da música. Segundo ele, o século XX abriu um grande leque de possibilidades novas e inesgotáveis recursos de criação. Nas propostas de Paynter e Self, não se trata apenas de descobrir e registrar novos sons, mas de organizá-los como música a partir de uma atitude de escuta ativa e experimental.


Publicações




Dinâmicas em sala de aula:

- Registro gráfico (escrita) coletiva de uma partitura dos sons do ambiente. Classe dividida em grupo: releitura e execução dessa partitura com vozes e instrumentos.
- três projetos de Paynter em seu livro Som e Estrutura foram executados por três grupos de alunos: 1) canção do vento, 2) sons encontrados e 3) os dedos são grandes inspiradores.



Keith Swanwick


Keith Swanick é professor de educação musical no Instituto de Educação da Universidade de Londres e regente. É autor de vários livros a respeito de educação musical, entre os quais, Music, mind and education (1988) e Musical Knowledge (1994). Desenvolveu teorias sobre educação musical, entre elas, a Teoria da Espiral do Desenvolvimento Musical e o Modelo TECLA (Técnica, Composição, Literatura e Apreciação).

Teoria do Desenvolvimento Espiral
No Brasil, uma importante pesquisadora e divulgadora do método Swanwick é Cecília Cavalieri (MG). Vide artigo publicado em dezembro de 2002.




Murray Schafer
(1933)

Músico e educador musical canadense, Murray Schafer
"acredita mais na qualidade da audição. na relação equilibrada entre homem e ambiente, e no estímulo `a capacidade criativa do que em teorias da aprendizagem musical e métodos pedagógicos. Suas posições a respeito desse tema vem sendo discutidas há bastante tempo, desde a década de 1960, como resultado da própria prática e de suas reflexões a respeito de suas (nem sempre bem-sucedidas) experiências escolares durante a infância e a adolescência." (FONTERRADA, Marisa T. O. De tramas e fios. Ed. Unesp, São Paulo 2008, pg. 193).
Os dois livros mais famosos (e talvez o mais lidos) de Schafer, traduzidos para o Português, são:


Em Afinação do Mundo, Schafer estuda e discute sobre a paisagem sonora, sua dinâmica, aperfeiçoamento e replanejamento a partir de um novo jeito de ouvir.
O Ouvido Pensante é uma coletânea de ensaios sobre a concepção sonora e musical de Schafer. Ele também trata da paisagem sonora.
 Dinâmicas em sala de aula:
Foram realizadas duas (das cem) propostas escritas no livro Educação Sonora:
1. Escrever todos os sons que ouvir no ambiente (no caso, os corredores da escola); listá-los, tentar classificá-los em sons "humanos", da "natureza" ou "tecnológicos" e, por fim, discutir com a classe sobre isso.
2. Fazer um diário de sons, listá-los e, em classe, dividir a experiência com os alunos.


Sons de Um Novo Dia
Luís E. Corbani

Os sons estão em todo lugar. Somente nos damos conta disso quando prestamos atenção a eles. A primeira hora do dia foi tão intensamente sonora que achei mais proveitoso descrevê-la em detalhes que tentar enfileirar sons esparsos e aparentemente sem significado ao longo do dia. Afinal, o dia de sábado significa... Descanso!

Tudo começou quando acordei num sobressalto, ao som ensurdecedor de uma britadeira ligada a metros de minha janela. Isso é incomum por essas bandas! Essa “música do asfalto” tinha como solista o funcionário da companhia de gás. Meus cachorros logo começaram a latir. Geralmente eles latem para os transeuntes – um hábito matutino - principalmente para os da mesma espécie, mas dessa vez estavam especialmente excitados. Como são dois labradores e uma Golden Retriever, o ambiente ficou bem carregado: o som da máquina entrecortada por um trio de latidos, ora descompassados, ora sincronizados. O primeiro começa, liderando. O segundo sobrepõe-se ao primeiro, imitando-o e o terceiro faz um ritmo diferente.

           
            Para acrescentar, a rua estreitada por cones pretos e amarelos obrigava os carros a buzinar, pedindo passagem. Já se somavam três eventos sonoros intensos em pouco tempo. Cinco minutos depois o celular acionou o despertador. Uma desordem! Minha filha se levantou e foi ao banheiro: descarga, água na pia, portas batendo (do banheiro e do quarto). Sons que vem e que vão... Cessa a britadeira. Ufa! Segundos depois retoma o trabalho. O celular que havia parado recomeça. Latidos mais intensos por causa do vizinho passeando com o seu cachorro em frente de casa. Metros dali há uma serralheria que funciona também aos sábados. Geralmente o lugar é tranquilo, mas parece que hoje não queria dividir o solo com o inesperado visitante. Logo uma máquina mais parecida com uma cortadeira foi ligada. Tinha um som incisivo, seco, quase um estalo. O vizinho, um jovem de dezoito anos, resolve sair com sua moto que não tem o “silencioso” no cano de escapamento. Essa parafernália urbana durou cerca de uma hora. A britadeira, em seu portentoso solo, liderava sobrepondo-se a todos. Os coadjuvantes desempenhavam bem o papel e nós, os ouvintes, estávamos neuróticos com aquela louca experiência.
            Murray Schafer em seu livro A Afinação do Mundo diz sobre a constante mutação da paisagem sonora do mundo. Hoje há uma “difusão indiscriminada e imperialista dos sons, em maior quantidade e volume, em cada reduto da vida humana. A poluição sonora é hoje um problema mundial.”. E alguns especialistas predizem que a “surdez universal” como a última consequência desse fenômeno. Isso quer dizer:
Durma com um barulho desses!
AGORA NADA FAÇO ALÉM DE OUVIR... OUÇO OS SONS QUE CORREM JUNTOS, COMBINADOS, QUE SE FUNDEM OU SE SUCEDEM, SONS DA CIDADE E DE FORA DA CIDADE, SONS DO DIA E DA NOITE.
Walt Whitman, Songs of Myself





H. J. Koellreutter
(1915 - 2005)

Foi músico, compositor, regente e educador musical alemão, radicado no Brasil desde 1937.
Trouxe para cá, pela primeira vez a história da música brasileira, os procedimentos da música nova. Quanto à educação musical, Koellreutter trouxe ideias frescas que reflete a nova postura diante da arte contemporânea, e abriu caminho voltado à pesquisa e à experimentação.(FONTERRADA, Marisa T. O. De tramas e fios. Ed. Unesp, São Paulo 2008, pg. 215).

Vídeo relacionado
http://www.youtube.com/watch?v=UsTmp_1hO0o


Obras relacionadas





 Dinâmicas em sala de aula:
Experiência de "diálogos musicais" entre dois ou mais músicos (alunos) com objetos sonoros e instrumentos de percussão, com gestalt, ou seja configurações musicais pluridirecionais (melódicas-rítmicas ou somente rítmicas e de timbre).

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